
Bati um papo por email com André Avorio, organizador da primeira BarCamp brasileira e talvez o único brasileiro presente na conferência Le Web 3, em Paris. Ele contou um pouco o que está acontecendo por lá. Percebe-se que o assunto ‘Bolha 2.0’ esteve presente.
1) Pelo que eu vi na lista de inscritos, você é o único brasileiro na conferência?
Foi o que também concluí olhando para a lista há alguns dias. 🙂
2) Qual a sua impressão sobre esse primeiro dia de conferência? O que deu para absorver? Quais assuntos chamaram mais a sua atenção?
Gosto quando misturam-se pessoas com diferentes backgrounds para conversar sobre idéias que extrapolam as limitações da internet, ou que a colocam numa posição de análise que nos obriga a pensar com maior amplitude. Fiquei extremamente contente com a sessão pelo professor Hans Rosling sobre mundialização, por exemplo.
Ele colocou todo o papo sobre 2.0 de lado para mostrar o mundo como ele é, e quais são as reais necessidades de um ponto de vista realmente global e inclusivo. Ter alguém para nos lembrar da realidade de minorias que não têm voz em um ‘mundo de vozes’ é nobre e inspirador.
É interessante também perceber a auto-crítica a que submetem-se VCs e empreendedores na tentativa de evitar uma bolha 2.0, apesar de existirem opiniões bastante divergentes sobre o assunto.
A discussão é rica, longa, obscura, e não espero chegarmos a nenhuma conclusão ou predição, porém. Julgo bastante relevante mantermos essa auto-crítica e observação constante do mercado para crescermos de maneira concreta.
3) Qual o perfil dos participantes da Le Web 3? Blogueiros e empreendedores web?
Empreendedores, VCs, blogueiros, jornalistas, criadores de conteúdo online (e.g. podcasts, videocasts), desenvolvedores, profissionais de publishing houses, relações públicas, telecomunicações, etc.

Niklas: ‘A imprensa não está morta’/ Fotos: Sachaqs
4) Pelo o que deu para acompanhar por aqui, via blogs, dois assuntos ganharam repercussão – Niklas Zennström, do Skype, que disse que a imprensa não morreu, e Danny Rimer, que afirmou que há um excesso de empresas Web 2.0, dando a entender que existe uma “Bolha da Web 2.0”. Você concorda com essas duas visões? Isso repercutiu por aí?
Estou de acordo com o Niklas – acredito que a imprensa velha não morreu, mas está, sim, passando por um processo de transformação que me parece fundamental para que continue existindo a longo prazo. O grande desafio, acredito, é combinar essa mídia nova e social com o antigo modelo de produção de informação.
Quanto à bolha 2.0: existem zilhões de startups sendo criadas todos os dias pelo mundo, e isso não necessariamente significa que o único caminho a seguir é o que leva a uma segunda bolha.
O mercado está passando por uma fase tão rica como nunca antes, mas ao mesmo tempo mostra-se muito mais maduro quanto nunca antes também.

As pessoas continuam experimentando, afinal essa é uma das essências mais belas da internet, mas somente algumas poucas empresas conseguem atingir um modelo de negócios sustentável e, consequentemente, acabam se mantendo no mercado.
Se precisa-se de uma metáfora com bolhas, eu colocaria desta forma: não existe uma grande bolha 2.0 chegando; existem milhares de empresas pelo mundo, e cada uma delas é uma pequena bolha.
Aquela que consegue se estruturar, deixa essa estrutura volátil e se transporta para um porto seguro; aquelas que não conseguem, duram até a tal bolha atingir o solo ou, quem sabe, explodir no meio do caminho.
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