Eu sou bem suspeito para falar sobre o seminário, que aconteceu neste sábado na Faculdade Cásper Líbero. Fui organizador do evento ao lado do professor Walter Lima. Portanto, resolvi fazer um post mais pessoal e contar o que mais chamou a minha atenção.
O evento teve transmissão ao vivo pela web, o que, neste ano, garantiu um público internacional. Pessoas que estavam acompanhando a transmissão puderam mandar perguntas via Twitter.
1º Painel – Convergência tecnológica e as mídias
Em sua apresentação, Fabiana Zanni, Diretora de Mídia Digital da editora Abril, ressaltou que sites informativos usam cada vez mais dados amigáveis que podem ser combinados para criar mashups e diversas outras interfaces de apresentação de conteúdo. A Fabiana mostrou muito bem o quanto podemos fazer um jornalismo melhor com todas as ferramentas e formatos que estão disponíveis.
Pedro Doria, diretor do Estadão Online (e que não é o meu primo, antes que me perguntem pela 498ª vez), lembrou que a mídia hoje em dia não pode monopolizar a conversa, ela é apenas mais um nó na web e deve participar das discussões em vez de querer ditá-las. Quem quiser monopolizar a conversa vai falar sozinho.
Quando questionados sobre restrições ao uso do Twitter, os dois profissionais lembraram que existem abusos e atitudes fora de noção, mas não é restringindo que se aprende a utilizar essas ferramentas. Aliás, não são apenas os profissionais, mas as próprias empresas de mídia que precisam aprender a melhor forma de utilizar esses instrumentos – por meio de treinamentos, palestras internas.
Enfim, é uma questão mais de aprender, educar, do que propriamente restringir e querer controlar.
2º Painel – Entretenimento na geração We Media
Phelipe Cruz, editor do site da Capricho, levantou um ponto para algo que nunca tinha pensado com mais cuidado. Sempre achei redundante afirmar que, com o Twitter, as celebridades estão em contato direto com o seu público. Afinal de contas, antes os blogs tinham função parecida.
Mas Phelipe lembrou que as celebridades, em geral, nunca se sentiram muito a vontade em atualizar blogs, por que sempre existia aquela ideia de que deveriam escrever coisas importantes, era mais trabalhoso, subir fotos etc.
Tanto que a maioria desses blogs era atualizada por assessores. E o Twitter, ao contrário, deixa as celebridades mais à vontade, elas podem escrever pouco, não existe aquela obrigação de escrever coisas importantes, é mais simples e podem enviar as mensagens direto do celular.
E Phelipe ratificou algo que eu já havia comentado. Apesar dessa ideia de “desintermediação”, que está muito forte hoje em dia, não é toda fonte (celebridade) que está preparada para lidar diretamente com o público. Citou o caso do Twitter da Xuxa.
Enquanto se fala tanto em construir “marcas individuais” e capital social, Julio Daio Borges mostrou como isso acontece na prática ao contar a sua história de criação do site Digestivo Cultural. A história do Julio é bem valiosa e cheia de detalhes a respeito de ser um produtor de conteúdo na web.
Foi o que falei em palestra na Feira do Estudante. A web, às vezes, passa a noção de que tudo acontece muito rápido, “em tempo real”, mas existem certas coisas que demoram tanto como antes, principalmente essa questão da criação da reputação. Você tem que saber trabalhar com o tempo.
3º Painel – Datamining e APIs na produção de informação
Para mim, o seminário fechou com chave de ouro com as palestras de Pedro Valente e Marcelo Soares sobre o uso de banco de dados e API na produção de informacão jornalística.
Valente, do Yahoo! Brasil, lembrou que quando você tem uma quantidade enorme de dados, a melhor coisa é fazer uma aplicacão interativa. E lembrou a importância das APIs, que é uma forma dos sites, governos e jornais fornecerem acesso aos seus dados de forma mais controlada e amigável.
Achei interessante também quando Marcelo Soares, co-criador do projeto Excelências, lembrou a história de Adrian Holovaty, criador do Chicago Crime e do Everyblock, como exemplo de um jornalista que pensa o jornalismo como dados e não fica questionando se isso é jornalismo ou não.
Aliás, o Marcelo fez uma ótima comparação. Assim como Gay Talese foi revolucionário em seu tempo, hoje todos esses jornalistas que estão trabalhando com banco de dados e APIs são os que estão fazendo a diferença. Estão criando algo novo.
Será que Adrian Holovaty não é o Gay Talese dos nossos tempos?
Quem quiser saber mais sobre o seminário, é só conferir a hashtag #casperconectada3 no Twitter.
Ou ainda o perfil oficial do evento, @tendconec, que reuniu fotos e diversas frases dos palestrantes.

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