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Facebook e o crescimento das "marcas pessoais" no jornalismo

Existe uma tendência na área de jornalismo que tem se revelado sutil e silenciosa – o crescimento das “marcas pessoais” frente às “marcas institucionais”.

O State of the Media, relatório anual sobre mídia e tecnologia, indicou esse crescimento como uma das grandes tendências no jornalismo.

Ela se dá quando o jornalista utiliza plataformas de redes sociais, microblogs e blogs para construir a sua própria reputação, audiência e marca pessoal, sem necessariamente estar ligado a uma redação.

Um dos principais ativos de um jornalista é a sua reputação. E, hoje em dia, ele não precisa construí-la junto a uma redação.

Se a gente for ver, “marcas pessoais” no jornalismo sempre existiram. Os colunistas fazem isso há bastante tempo. No entanto, com a alta rotatividade nas empresas e as oportunidades abertas pelos sistemas de publicação e pela cultura de autoexpressão na web, cada vez mais é interessante para o profissional de jornalismo construir a sua própria audiência e marca pessoal.

Hoje, muitos jornalistas têm mais seguidores em seu perfil pessoal do que no do veículo para o qual trabalha.

Aliás, há dois anos, por trás do debate sobre os jornalistas poderem utilizar ou não o Twitter nas redações, existia, por parte das empresas, a preocupação de que as “marcas institucionais” perdessem relevância frente às “marcas pessoais”.

Uma preocupação legítima das organizações de jornalismo, mas que demonstra a necessidade de rever a relação entre jornalistas e empresas.

Em palestras, sempre trato desse assunto das “marcas pessoais”, o que acaba rendendo bons debates. Resolvi falar sobre ele aqui, no blog – no finalzinho da semana passada, o Facebook lançou um botão que permite “assinar” as notícias de um repórter específico e não de uma publicação.

É uma valorização maior das “marcas pessoais” no jornalismo. No caso, com o botão, você acompanha o jornalista (marca pessoal) e não a publicação (marca institucional).

Lembro que, durante um certo período, o NYTimes tinha uma tática que ia ao encontro dessa ideia do botão do Facebook – de falar com os leitores não por meio da marca institucional (perfil oficial do NYTimes), mas sim, de modo mais pessoal, por meio dos profissionais do jornal que tivessem perfis nas plataformas de redes sociais.

O mais interessante dessas ferramentas (blogs, plataformas de redes sociais, microblogs) é justamente isso – o que existe por trás do uso delas. No caso do jornalismo, essa utilização tem o poder de fortalecer as “marcas pessoais”.

Veja também: Reputação digital preocupa cada vez mais as pessoas

Crédito da foto: a_sorense

Publicado em jornalismo em