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2013 => 2014 tendências de cultura digital

Fazer previsões é sempre complicado e pretensioso. Mas, ao mesmo tempo, é importante monitorar certas tendências de cultura digital. Seguem algumas coisas que chamaram a atenção em 2013. Esses movimentos continuarão em 2014: as coisas não acontecem tão rápido quanto parece. Por isso, é interessante acompanhar a evolução deles.

1. APIs pessoais e públicas
Com a crescente tendência de mensurar a vida pessoal (o quanto praticou de exercício, comeu, trabalhou, assistiu TV), o conceito de ter uma API pessoal e pública voltou em 2013. Faz sentido ter uma série de regras a respeito de como as pessoas e os softwares podem nos contatar? Sim, principalmente se levarmos em conta que grande parte do atual fluxo de informação acontece na camada de infraestrutura da internet. Imagine a situação: num futuro próximo, em encontros, almoços e conferências, não trocaremos mais cartões de negócios, mas APIs. Na realidade, hoje algumas pessoas da área acadêmica já fazem isso com APIs onde é possível acessar toda a produção acadêmica de um pesquisador.

2. Smartphones como dispositivos contextuais
Em 2013, as tecnologias móveis mudaram completamente a utilização da internet. A tendência continuará firme neste ano. Smartphones consolidaram a sua posição como novo hub social (feito de diversos aplicativos fragmentados). Não é à toa que um dos temas mais quentes para se estudar na atualidade diz respeito a saber como as pessoas se movimentam entre os aplicativos: As pessoas saltam direto do de emails para o de foto? Qual o primeiro que abrem ao acordar?

No último ano, os smartphones também começaram a ser reconhecidos como “dispositivos contextuais”: com sensores embutidos em sua tecnologia, são capazes de fornecer uma experiência mais contextual do que laptops e desktops.

3. Impressão 3D integrada a outras tecnologias e conceitos
Impressão 3D é como a tecnologia de dados: insignificante se não estiver integrada a outras. Até 2012, era somente uma “moda nerd”. Entretanto, em 2013, a impressão 3D associou-se a outras tecnologias, indústrias e conceitos. Essa integração trouxe mais importância social e econômica para a impressão 3D. Um exemplo é a premiada startup EyeNetra de Boston, que utiliza a impressão 3D como uma forma de acelerar o seu processo de inovação. A impressão 3D é responsável, por exemplo, pela produção de protótipos de tecnologia óptica em apenas duas semanas.

4. Caminho entre trabalho e casa virou um período de compartilhamento e conexão com outras pessoas
É cada vez mais comum incluir tecnologia no caminho entre o trabalho e a moradia. Circa, Hour of Code e o Waze são alguns aplicativos que exploram essa realidade. Na verdade, é algo ligado a uma outra movimentação. Em  cidades de países desenvolvidos, as pessoas estão dirigindo menos e usando mais bicicletas, metrôs e ônibus, e, ao mesmo tempo, estão mais engajadas com tecnologias durante o trajeto entre o trabalho e a casa.

5. Imigração extremamente ligada ao setor de tecnologia
A inovação na área de tecnologia está fortemente ligada à questão da imigração nos EUA. Ou, para ser mais direto, historicamente a economia americana é guiada por inovação e imigração. Em 2013, essa ideia ficou mais intensa ainda quando empresas de tecnologia da informação, como Google e Facebook, começaram a se envolver diretamente no debate sobre a reforma das leis americanas de imigração.

6. Governos também utilizando as capacidades da internet
Talvez 2013 seja lembrado como o ano em que as pessoas finalmente se deram conta de que os governos podem utilizar a internet para tirar as suas próprias vantagens. Chama a atenção que poucos pensaram a respeito disso: a internet é uma ferramenta que foi desenvolvida e projetada por uma agência governamental. Logo – não digo que isso está correto – mas faz sentido pensar que governos utilizem-na, em especial o seu poder de vigilância. Lembre-se que tudo o que trafega na internet fica registrado em sua camada de infraestrutura e de que vigilância é uma das capacidades mais singulares e poderosas da internet.

7. Mapas como fonte de informação contextual
A guerra das empresas de tecnologia por “informação contextual” ganhou espaço nos últimos anos. Um exemplo é a batalha Apple Maps vs. Google Apps. Em 2013, a Apple lançou o seu próprio serviço de mapas no desktop. Essa movimentação deixou claro que o embate entre as duas empresas não é sobre mapas, mas “informação contextual”. A Apple sabe que a localização é um tipo de dado que tornou-se imprescindível na hora de elaborar uma experiência contextual. Seguramente, ainda veremos mais sobre essa batalha por “informação contextual”.

//texto publicado originalmente em inglês, em dezembro de 2013.

Publicado em cultura digital em